20.º DOMINGO COMUM
CASA PARA TODOS!
Jesus, profeta famoso em palavras e obras, estava pelo território de Tiro e Sídon, talvez para descansar. Uma cananeia, lutadora, suplica o seu socorro: cura a minha filha! O Mestre resiste, até querer desencorajá-la com o ditado: «Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros» (os judeus - filhos da Aliança - chamavam pejorativamente ‘cachorros’ aos pagãos). Mas ela não se rende: «Até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos». A fé desta mãe é um ventre que dá à luz o milagre: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas».
Deus não é propriedade de credo algum. A mulher era pagã, não ia ao templo, não conhecia a doutrina — mas «grande» era a sua fé! O que lhe faz confiar (= ter fé) é uma convicção profunda: para Deus, não há filhos e cachorros, não há os de casa e os de fora. Há apenas pessoas que precisam de ser acolhidas, com suas feridas e suas buscas de sentido; que precisam de ser curadas com o bálsamo da atenção e da compaixão.
Sonho com uma Igreja que seja um recinto de portas abertas, onde cada pessoa encontre acolhimento, para lá de suas crenças ou dúvidas, de suas convicções ou fraquezas: uma «casa para todos!» (1.ª leitura).

