3.º DOMINGO de PÁSCOA
ARDE-NOS O CORAÇÃO?
Dois discípulos voltam a casa destroçados: o sonho do Mundo Novo esfumou-se na Cruz! Olhos vendados pela desilusão, não reconhecem o Forasteiro que caminha com eles. Só sabem lamentar-se: mataram-no… esperávamos que ele libertasse Israel… mas já lá vão três dias… Um é Cléofas, o outro não tem nome. Talvez seja eu. Afinal, o caminho de Jerusalém a Emaús é muitas vezes o meu: quando acredito mais na força do mal que na energia do bem; quando vejo a Cruz como derrota e não como plenitude de amor doado. O Forasteiro volta a ser Mestre, e ajuda Cléofas e a mim a fazer um caminho inverso: ler os acontecimentos à luz dum Projeto maior: «Não devia o Messias sofrer essas coisas para entrar na sua glória?» Num mundo dominado por lobos, não devia Deus dar-nos seu Filho como Cordeiro? Não devia o Filho doar-se por amor, para que aprendamos a via de regresso ao coração do Pai, ao coração dos irmãos? Então, tudo ganha novo sentido. «Não nos ardia o coração quando ele nos falava?...» Anunciar o Evangelho é fazer estrada com as mulheres e homens de hoje. É aquecer corações, contagiar vidas de esperança. E ajudar a descobrir a Presença do Ressuscitado no pão partido da eucaristia e da fraternidade.

